Assim, de repente
Sozinha, impaciente
Loucuras em mente
Desejos urgentes
Vão, furiosamente
Irreversivelmente
Brotando, crescentes...
Venha, inteiramente
Te espero carente...
Traga, indecente,
Um beijo bem quente
Ou carícia inocente...
Incendiando, invadindo
O corpo e a mente...
Mágica semente
Sabor envolvente
Fogo crescente...
Venha rapidamente
Maliciosamente...
Domar essa fera
Que deseja somente
Nessa noite quente
De estrela cadente
Amar, deliciosamente!
Venha...
Te quero presente
Em meu corpo, saliente
A buscar, loucamente
De forma indecente
Prazer que só aumente!
Eu e você
Ao menos essa noite...
Fazendo amor... finalmente...!
O mecanismo lógico que desencadeia a compaixão do ser humano é algo que me intriga. O horror do desastre haitiano compadece corações brasileiros e mobiliza o mundo inteiro. O horror que sempre foi o Haiti, não.
Acho uma pena a solidariedade humana ter hora marcada e prazo de validade.
Fui procurar em meio à chuva alguma coisa que fizesse sentido, e acabei revisitando o Mark. O Mark é desses que mexe comigo. O Mark sabe da poeira que o tempo nina, mas enxerga o mundo com miopia que varre a poeira dos móveis, atira o pó em dança caótica e diz mil verdades sem fatos. O Mark é como o Kurt, rasga a bandeira branca e empurra o capelo, abrindo bem as mãos - "...os aplausos que aguardem, o objetivo agora é alcançar a serpentina dourada que ilude com gracejo." A estrada segue, eu sei, você sabe (mesmo que não saiba, realmente); é inevitável. Mas um disco na mochila é essencial, só não mais que as páginas em branco. Entende? Não, eu não disse que é fácil. Existe um espaço enorme e miúdo entre letras e ponto. Ponto. Existe um espaço metafísico que ultrapassa o saber; existe algum para o sentir?
Não, não se engane... às vezes palavras são pouco, quase nada.
Paradoxo se escreve com x, e nunca foi sua sina fazer parte de uma equação.
Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entre tendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. As manhãs toldam de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão.
"Eu e você usamos a mesma língua, as mesmas palavras. Mas que culpa temos nós de que as palavras, em si, sejam vazias? Vazias, sim. Ao dizê-las a mim, você preenche-as com o seu sentido e valor; e eu, ao recebê-las, inevitavelmente preencho-as com o meu sentido e valor. Pensamos que nos entendemos; de fato, não nos entendemos. Mas estamos e vivemos, logo eu sinto, você sente; e disso, só nós sabemos"
Estava pronta – pensei...
vou escrever uma linda poesia;
Peguei o bloco de rascunho,
caneta em punho
e fiquei olhando a folha em branco.
Meu dicionário servia
como prancheta,
pronto pra ser consultado,
e meu eu pasmado!
Porque nada em minha mente surgia,
parecia vazia.
Fato consumado.
Sentada na cama, fumei um cigarro.
Ainda embasbacada, perguntei
que poeta eu sou?
Que não sabe como começar
o que planejou.
Porém, em compensação...
uma conclusão me deixou.
Minha mente, não é uma indústria
e nem fabrico inspiração.
Desisti.
Fui ouvir Beatles
Não gosto do “quase” Não suporto o “mais ou menos” Não tolero “qualquer coisa” Detesto o “talvez” Irrita-me o “senão” Abomino o “quem sabe um dia”... Odeio o “pode ser” Evito os meios-termos Não leio as entrelinhas Desprezo os atalhos Não gosto do cinza... Gosto do branco Ou do preto... Mas prefiro O vermelho! Amo o “tudo” Adoro o “mais” Amo o “fundo” O “profundo”... Sou o que sou: Gosto do avesso Do desafio Do difícil Do travesso, De pagar o preço! Gosto da pimenta ardida Da primeira mordida, Das raízes, Do vento frio De ir a pé, De vida... De andar com fé!!