quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

distância




Estou distante.
De tudo
De todos
e
Explicitamente;




Distante
de
mim.

Paradoxo






eu sou ruim.
ou mal.
ou mau.
as vezes eu me escondo sob algumas fantasias.
fora isso, sou uma eterna menina.
vazia.


uma rebelde de mentira!


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Caminhante



Vou seguir essas léguas
Como toda caminhante
Os meus olhos têm o brilho
Dos amantes esquecidos.

No semblante minha fé
Aquela que não duvido
Vou levando minha sina
Que é minha não divido

Meu instinto de errante
Sempre andou junto comigo
E assim eu vou seguindo
Perseguindo os caminhos

Levo em todas as partidas
A incerteza do destino,
Tenho as noites como abrigo
E as manhãs que eu persigo

Por mais que eu não descubra
O meu porto e dia de chegada
Vou deixando em cada canto
Minha presença marcada

E em cada despedida
Deixo um pranto de saudade,
A estrada é minha casa
À distância minha vida.


A partida





A brisa calma, o vento gélido anunciava,
Mais um dia estava começando.
Ela da cama se levantava,
E no novo caminho,
Já ia pensando.
 

Malas prontas, arrumadas,
Passagem na mão;
Um olhar triste da mãe...
Um aperto no coração.

De longe já se ouvia,
Um anúncio que era o tal...
E ele correspondia,
Ao novo caminho sem final.

E pela porta ela passou;
Ouviu alguém dizer adeus,
Viu acenos tristes,
E uma lágrima despencar.

Sabia que dali não teria como voltar;
Sabia que ali teria que se adaptar;
Sabia que ali era seu novo lugar.


Ela foi, e nunca mais voltou.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Velhos Costumes

PS: fiz com a intenção de virar música. Mas ainda não consegui compor algo que se encaixa...é como a busca por um perdido elo da corrente.


Não tenho nada de novo
Somente os velhos costumes
Sempre o mesmo perfume
E esse tique nervoso.

Eu sou de poucas palavras
Para dizer o que penso
Da mesma forma que quero
Também te mostro o inverso

Não tenho nada de novo
Pois sou a mesma de sempre
Aposto tudo que tenho
Mas não me vendo barato

Um velho blues ou um rock
Uísque puro sem gelo.
Esse olhar preguiçoso
Mas um sorriso sincero.

Finalmente

Assim, de repente
Sozinha, impaciente
Loucuras em mente
Desejos urgentes
Vão, furiosamente
Irreversivelmente
Brotando, crescentes...
Venha, inteiramente
Te espero carente...
Traga, indecente,
Um beijo bem quente
Ou carícia inocente...
Incendiando, invadindo
O corpo e a mente...
Mágica semente
Sabor envolvente
Fogo crescente...
Venha rapidamente
Maliciosamente...
Domar essa fera
Que deseja somente
Nessa noite quente
De estrela cadente
Amar, deliciosamente!
Venha...
Te quero presente
Em meu corpo, saliente
A buscar, loucamente
De forma indecente
Prazer que só aumente!
Eu e você
Ao menos essa noite...
Fazendo amor... finalmente...!

Lucidez







Como disfarçar, se a minha lucidez
Flerta abertamente com a insanidade?
E minha razão, por vontade própria,
Afasta-se cada vez mais da realidade?

Como fugir, se minha luz no fim do túnel
Jamais foi além de um tênue lampejo?
Se minhas aversões são encobertas
Pelas irresistíveis asas do desejo...?

Seria como... esquecer quem sou
E apagar do meu subconsciente
De onde vim, pra onde vou...

Será que ao menos Freud explicaria?
Confesso que, diante de tanta incoerência,
A perguntá-lo... eu jamais me atreveria!







sábado, 23 de janeiro de 2010

blá blá humanitário

O mecanismo lógico que desencadeia a compaixão do ser humano é algo que me intriga. O horror do desastre haitiano compadece corações brasileiros e mobiliza o mundo inteiro. O horror que sempre foi o Haiti, não.


Acho uma pena a solidariedade humana ter hora marcada e prazo de validade.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

[in]croguência







Fui procurar em meio à chuva alguma coisa que fizesse sentido, e acabei revisitando o Mark. O Mark é desses que mexe comigo. O Mark sabe da poeira que o tempo nina, mas enxerga o mundo com miopia que varre a poeira dos móveis, atira o pó em dança caótica e diz mil verdades sem fatos. O Mark é como o Kurt, rasga a bandeira branca e empurra o capelo, abrindo bem as mãos - "...os aplausos que aguardem, o objetivo agora é alcançar a serpentina dourada que ilude com gracejo." A estrada segue, eu sei, você sabe (mesmo que não saiba, realmente); é inevitável. Mas um disco na mochila é essencial, só não mais que as páginas em branco. Entende? Não, eu não disse que é fácil. Existe um espaço enorme e miúdo entre letras e ponto. Ponto. Existe um espaço metafísico que ultrapassa o saber; existe algum para o sentir?
Não, não se engane... às vezes palavras são pouco, quase nada.  

Paradoxo se escreve com x, e nunca foi sua sina fazer parte de uma equação.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Aur Revoir

Não tenho mais vontade de escrever,
Não vejo mais beleza nos campos
Nem nas incertezas de um beijo



Não encontro palavras
Nem que representem o tédio
Quanto mais o desejo.



Ver-
sifico
para
ver se
fico !



Vãs Palavras
também
são
Fala-
das

Quem não versifica
Com verme fica"



Eu ainda não voei
Mas vou voar
Au revoir....
Adios
Deixo lacunas...
Lacunas para contar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Tecendo a manhã





Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entre tendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
As manhãs toldam de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ruído





"Eu e você usamos a mesma língua, as mesmas palavras. Mas que culpa temos nós de que as palavras, em si, sejam vazias? Vazias, sim. Ao dizê-las a mim, você preenche-as com o seu sentido e valor; e eu, ao recebê-las, inevitavelmente preencho-as com o meu sentido e valor. Pensamos que nos entendemos; de fato, não nos entendemos. Mas estamos e vivemos, logo eu sinto, você sente; e disso, só nós sabemos"

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Observar




O nada agora é quase tudo
É um estado semi mudo
O qual minha mente tenta descrever


Eu vejo a lua
Vejo o sol nascer
E mesmo assim continuo
Embaraço-me e...
Não consigo resolver


Fumo um cigarro
Tomo ate um gole de café
Aonde meus devaneios me levam
Realmente...
Eu nunca chegaria a pé


Mas mesmo assim
Solitária e sem inspiração
Brinco de fazer versos
E estes,
Fico triste em saber...
Nunca sequer mexeram com seu coração
E eu nunca conseguirei descrever!

Falta de Inspiração




Estava pronta – pensei...
vou escrever uma linda poesia;
Peguei o bloco de rascunho,
caneta em punho
e fiquei olhando a folha em branco.
Meu dicionário servia
como prancheta,
pronto pra ser consultado,
e meu eu pasmado!
Porque nada em minha mente surgia,
parecia vazia.
Fato consumado.
Sentada na cama, fumei um cigarro.
Ainda embasbacada, perguntei
que poeta eu sou?
Que não sabe como começar
o que planejou.
Porém, em compensação...
uma conclusão me deixou.
Minha mente, não é uma indústria
e nem fabrico inspiração.
Desisti.
Fui ouvir Beatles
e pirar o cabeção.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Auto-Retrato









Não gosto do “quase”
Não suporto o “mais ou menos”
Não tolero “qualquer coisa”
Detesto o “talvez”
Irrita-me o “senão”
Abomino o “quem sabe um dia”...
Odeio o “pode ser”
Evito os meios-termos
Não leio as entrelinhas
Desprezo os atalhos
Não gosto do cinza...
Gosto do branco
Ou do preto...
Mas prefiro
O vermelho!
Amo o “tudo”
Adoro o “mais”
Amo o “fundo”
O “profundo”...
Sou o que sou:
Gosto do avesso
Do desafio
Do difícil
Do travesso,
De pagar o preço!
Gosto da pimenta ardida
Da primeira mordida,
Das raízes,
Do vento frio
De ir a pé,
De vida...
De andar com fé!!