segunda-feira, 29 de março de 2010

Ensaio

Nos alimentamos um do outro até lambusarmos a madrugada de corpos molhados
Nos alimentamos um do outro até lambusarmos a manhã de umidade

sexta-feira, 26 de março de 2010

que molha

A chuva percorre a extensão da cidade na verticalidade de suas gotas. E eu [úmida por dentro] ponho-me na janela para escutá-lapara me perceber a cada (in)quietude que os pingos derramam.

Com um lápis escorrendo entre os dedos, me percebo e de líquidos densos transbordo: enquanto as gotas despencam para baixo, eu [encharcada de pensamentos] despenco para cima.




A poetisa é aquela que despenca para cima. Transita pelo mundo de ponta-cabeça.
eu fui perseguida
pois de querer meu eu carece
pois ele é um desconhecido
que o mundo ainda não conhece...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Scire-Potere-Audere-Tacere


Saber



Poder



Ousar



Calar

terça-feira, 23 de março de 2010


Na travessia das cores-sabores

Fiz a transubstanciação da alma

No copo de leite nasceu poesia

vou atrás

Hoje eu ando com as pernas do tempo

E na minha alma vive o momento
Demorou, mas percebi
A vida segue,
e eu vou atrás

O sol e a lua me têm como amigo
O ponteiro do relógio é um livro já lido
Essa brisa tomei como bússola, e mais
A vida segue
E eu vou atrás
Você me pergunta sobre meu futuro
E eu te respondo – que diferença faz?
Se até nosso amanhã vai ser ontem um dia
É que a vida segue
E eu vou atrás

quarta-feira, 17 de março de 2010

descobrindo

Neste desejo inócuo

Vou flutuando com o vento.
Folha vagando pelo vácuo,
Do espaço Sentimento.

Abro portas sem trancas
Marco rotas com os pés.
Subindo longas escadas.
Nadando com as marés.
Desvendo novos ares.
Respirando, eu aproveito,
Pois descubro novos lares
Que habitam no meu peito.
Desovando velhas regras
Desbravo um mundo novo.
E neste caminho de pedras,
Lapidando eu me renovo.

Cada passo, uma surpresa.
A verdade vem à tona,
E faço graça com destreza
Neste palco sem lona.

O tempo me abraça,
Na cadência do destino,
Que do baixo me alça,
Me apresentando ao divino.

Errante vou ouvindo,
O coração que não me cega,
E num mirante esperançando,
Minha alma que se alegra...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Vislumbro a palavra
caio num abismo de possibilidades;



Escorreguei na casca do poema
caí num chão de janelas;

estou inserida em uma dimensão real?
não é fixa. eu já sabia.

sábado, 13 de março de 2010

Tais Olhos

Seus olhos deveriam ser velhos
Opacos e tímidos
e deveriam velar por mim
pela eternidade,




Seus olhos
Deveriam
ser os meus,
Só os meus,
Donde deveria
Mergulhar

De
Cora-
ção


Mas seus olhos são cinzas
- Quando prenhes de razão:


São da alma, o grilo
O medo e o desejo
De um dia
serem verdes


Um dia
serem meus.

quarta-feira, 10 de março de 2010

não sei porquê

Falta ar..
não consigo respirar.
Soprem minhas narinas
pois minha boca,uso na arte de amar.
Ou então beije-me
e deixe-me sufocar.

domingo, 7 de março de 2010

gosto muito deste poema:


Se tu me amas

Ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
Deixa em paz aos passarinhos,
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
Enfim
Tem que ser devagarinho, amada!
Que a vida é breve
E o Amor
Mais breve ainda.






.Mario Quintana.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Natureza em Mim

As luzes apagam

Mas os meus olhos continuam atentos
A chuva me agride
E me ameaça com os sopros dos ventos


Eu não entendo

Por que o sol que esquenta lá fora
Não esquenta aqui dentro?
Por que a vida que acaba agora
Já nasce perdendo?
Por que a dor que vem de repente
Não dói tão perfeito?


As montanhas esconde
A beleza que desponta o horizonte
O calor que queima asfaltos
Racha minha cabeça e brinda minha sede


Eu não entendo


Por que a natureza é perfeita lá fora
E tão louca aqui dentro?

quinta-feira, 4 de março de 2010

nestes dias tão serenos de contexto tão ameno

dessa saudade in(s)talada

sinto o ímpeto de sua forma&presença
- de forma trocada

d
e
n
s
a

dias trocados e molhados....entre eles outros, tantos;
traçam este a c a l a n t o, de cor vermelha.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Poema Azul

Ama-me como o mar



Serei o céu a beijar-te



extraindo teu sal



e gozando alvoradas ensolaradas



nas tuas noites tempestuosas