As madrugadas arrastavam-se pela consistência do frio. Perdida nas horas, ela partia para o desfecho de seus olhos carregando a face intensa da Lua. Colocava seu sono no escuro e, encolhida, buscava a cozedura do calor. O tempo desdobrava-se nestas tentativas, até que palavras chegavam à sua janela, adentravam-se na sua cama e, de letra em letra, envolviam-na num aquecimento contínuo e crescente. Eram os des (compassos) dos abraços deles. Seguia ela por estes versos fluidos. Seguia ela com os desejos que por ele a entorpeciam.
- Guarda-me nos teus braços [para sentirmos as densidades dos corpos]
- Fecha-me num abraço [para conduzirmos as possibilidades de afagos]
- Reúna-me em teus versos [para nos alimentarmos da intimidade das palavras encarnadas]