quarta-feira, 14 de abril de 2010

Inquietude Plena

E por certo tempo
imaginei estar perdida,
e com o olhar desatento, lento
uma intensidade se fez,
tal como nas historias
 de era uma vez.
Pensei imaginar
pensei sentir.
A luz desapareceu
e eu cai.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Des compassos

As madrugadas arrastavam-se pela consistência do frio. Perdida nas horas, ela partia para o desfecho de seus olhos carregando a face intensa da Lua. Colocava seu sono no escuro e, encolhida, buscava a cozedura do calor. O tempo desdobrava-se nestas tentativas, até que palavras chegavam à sua janela, adentravam-se na sua cama e, de letra em letra, envolviam-na num aquecimento contínuo e crescente. Eram os des (compassos) dos abraços deles. Seguia ela por estes versos fluidos. Seguia ela com os desejos que por ele a entorpeciam.


- Guarda-me nos teus braços [para sentirmos as densidades dos corpos]


- Fecha-me num abraço [para conduzirmos as possibilidades de afagos]


- Reúna-me em teus versos [para nos alimentarmos da intimidade das palavras encarnadas]