terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

* carlos drummond de andrade

LIÇAO
Tarde, a vida me ensina
essa liçao discreta:
a ode cristalina
é a que se faz sem poeta.


*


LEMBRETE
Se procurar bem, voce acaba encontrando
nao a explicaçao (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Compreender o silêncio não é entender a ausência de som.

É descobrir-se para, só então, revelar-se.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

concepçao

Nascera em tal noite
de lua nova no céu (sem íris nos olhos):

já nascera
póstuma.


sossego

Vento-me, agora

num

vendaval de sol.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

musical

cancioneia o corpo
enfadado de buscar,
desliza, um poço
notas no ar.
um toque de canto
do linho; brando
o mesmo velho balanço,
etiqueta auxiliar.
Imprimo-me em tuas

retinas

sem jamais

revelar-me inteira.

noite: des(construção)

Adormecer (em) alguém. Prazer. Mãos, essências para construírem o ritmo e o balanceado: apertam, tocam, afagam, partem para reunir-se nos braços e lábios próximos e neles se perderem. Escorrem sobre os corpos: mapa de curvas.

Adormecer (em) alguém. Persistência. Lutar contra o próprio sono enquanto mãos querem rodopiar e corpos provar, carinhos de sons e meios inesperados.


Adormecer (em) alguém. Embriagar. Abraçados de canto direito e esquerdo.

Adormecer (em) alguém. Corpos. Longe possível para o conforto. Suficientemente próximos para se sentirem ao longo da madrugada.

adormecer alguém.




Tradu[ç]ao

Quando as mãos se fazem cores, o dia amanhece teimoso. As extensões do corpo transbordam a sutileza dos traços. Quero me preencher e me pintar. Sentir
aqueles movimentos que fizeram das partidas e chegadas uma dança; de tintas,  algodão cru. Meu entorno são as cores. Para registros de memórias, os vazios travestidos de pintura íntima.