sábado, 4 de dezembro de 2010

Potencialidades

Acordar segundas-feiras nubladas.
Voar.
Pendurar com dedo mindinho.
Morrer sem parecer absurdamente triste.
Entristecer absurdamente sem morrer.
Porque metáforas são desculpas esfarrapadas do criador
para reconstruir em algodão.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

desvios

nas mãos todas as ferramentas para uma vida de comodidade

nos pés todos os contratempos para evitá-la
nos sonhos, todos os desejos de uma vida de riscos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

racionalidade inconformal,
espiritualidade informal.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

é noite

Tanta linha que se tece em meio à concha negra celeste. Tanta linha que se alinhava com as estrelas do céu cortando retalhos de luz. Tanta linha que se move na extensão de um corpo-cancional. Tanta linha que se dobra e desdobra nas horas posteriores ao sono {sonhos}...

Tanta ausência-presença que se cheira.

mou mento

Quero um abraço abrasado na abrangência de teus braços
Quero teus braços na abrangência de tuas possibilidades
Quero as tuas possibilidades na abrangência de teu abismo
Quero teu abismo na abrangência da nossa

q
u
e
d
a

domingo, 1 de agosto de 2010

antropofagia diária

provo dos ruídos nas horas de mãos dadas com a surpresa
assimilo as pinturas cotidianas com gosto de espanto.

acalanto do tempo

sexta-feira, 30 de julho de 2010

etiquetas

I. fogo
o poema incendeia
mas o poeta já não sabe arder.

onde te escondes, auto-de-fé?...




II. memória 
ouvi dizer
que perder a memória
é morrer duas vezes.

morri-me.
morri-te.



III. colagens
porque o corvo
me ensina o grito da loucura
e me empurra para dentro
dispo os braços secos
e atolo-me na tua imagem muda.



IV. A morte do verbo 

gaguejo
balbucio
sussurro
murmuro
falo
grito
brado
vocifero

as palavras gastam-se
em bocas sem saliva
e definham
nos submersos degraus da vida.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

(des)encontro

- Moro no intervalo da palavra
- Moro no interstício do verso

O (des)encontro: no ruído do instante

quarta-feira, 21 de julho de 2010

liquefeito

"distraídos
porque nos beijávamos

distritos
expandiam-se em oceanos de pele e
cintilâncias galáxias de evanescência

por mim
o orvalho gotículas de saliva doce

hidromel que poreja
sumo de ambrosia para além psi

aleluia!"

domingo, 18 de julho de 2010

Livre


Eu não tenho molde.
Vario conforme a lua,
Conforme o vento,
Conforme o tempo.
Pra quê ter fôrma
Se a mais bela forma da areia
É a inconstância das dunas?
Eu não tenho molde e não quero ter.
Sou a liberdade do mar
Em suas ressacas e calmarias.
Céu de brigadeiro?
Só se for pra comer de colher.
E quente;
Porque o morno nunca me satisfez.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência
e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca."

Clarice Lispector

nua e crua

se esmoreço
me calo
se me calo
falo
noutras línguas
linguagens diversas
inintelegíveis?
talvez
expressões do eu
não do ego

sexta-feira, 9 de julho de 2010

da voz

tua voz faz uso de vinho tinto nas minhas canções
embebida cada fragmento deste corpo-cancional
e antecipa o sabor dos delírios

terça-feira, 6 de julho de 2010

a minha cor predileta é verde

domingo, 4 de julho de 2010

Coti(dia)no

Despertei na manhã com canto líquido e solúvel. Misturei meu tingimento com perspectiva poética ao longo do dia {em meio a um cotidiano que nos entorpece de repetição}

(en)saio do cotidiano

É preciso lançar palavras escritas. Resgatar vôos em meio a um cotidiano que nos entorpece de repetição e nega a perspectiva poética.
tem dias que eu acordo tão ácida
que não me reconheço
em nada

a minha identidade se dissolve
ao toque mais leve das minhas digitais

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ando pelo mato com meus pés vermelhos em busca de sementes. se não as encontro, avôo - e caço a semente no ar.

morasse na cidade teria os pés cinzentos comeria pedras e voaria. sou bicho sortudo: moro no mato e avôo.

sábado, 26 de junho de 2010

canção da manhã

cores
formas, ruídos

manhã

não mais fantasmas no sótão
poeiras invisíveis

estrelas

tresloucados grilos
não uivam

lua

formas não mais tremulam
oníricas
noturnas

............

mundo
como era ontem

órbita

dia e noite
antigo fluxo
sempre novo

claridade

restituídos estamos
renovados
pelo batismo escuro
(noite)
em que repousamos

manhã

salta-te
graciosa
e nos concede
a pretensão consciente
da vida.

terça-feira, 22 de junho de 2010

indiferente

peça um pedaço
afague-me em teus braços
enquanto eu 
muda d es calça
ando nas nuvens

segunda-feira, 21 de junho de 2010

parto

o cio da pa(lavra)
lavra no silên(cio)

grá(vida),
nascem os versos

terça-feira, 15 de junho de 2010

eus

O eu do poema
nem sempre
é o eu do poeta.
O eu do poeta,
enquanto poeta,
nunca foi seu…
O eu do poema
alimenta-se
enquanto nutre outros eus, -
é muito mais do que um único eu…
É um eu tão profundo
que não tem fundo,
não tem pouso,
nem repouso…
É um eu em pessoas, -
as primeiras,
as segundas,
as terceiras…
É um eu em queda livre,
um eu em abandono,
que não se reconhece
em um único dono…
O eu do poema
não é pastor,
é rebanho, -
é o eu de um mundo,
onde ainda há lugar
para o eu
(que não é só) do poeta
e seus poemas
de infinitos eus…
tão singularmente
divididos.

Cabe ao poeta
o improvável teorema
de um eu
que nunca lhe pertenceu…
Resta ao poeta
assinar o poema que escreveu, -
para que não se perca
de si mesmo…
do eu
que tantas vezes
pensa ser o seu...

domingo, 6 de junho de 2010

A sedução das palavras percorridos nos corpos faz uso de linguagem poética.

Linguagem carregada de vento.
Linguagem reinventada de possíveis.
Linguagem de possíveis rein(ventos).

- In(corpo)rei a poesia nos meus sopros e percorri o caminho do vento.

sábado, 29 de maio de 2010

verso-vida vida-verso

resta o verso.
a vida é
nada, é tudo.
a vida é
todo o resto.
não me iludo.

nesta, o ver-
so. a vida é
tudo, é nada.
a vida é
o reverso.
que cilada!

sexta-feira, 21 de maio de 2010



I can just belive, in the light that come from the sky...
but she said she will give me, some strength for to find;




the way what since ages (constantly), I'm trying to be on.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

especular

É na claridade escura
que a minha menina canta
triste, como se fosse estéril.

É o meu sendo
esbarrando no tempo.
Minha garganta oca
anunciando espasmos
porque não me entendo.

-
Redobro-me. Mas nada
se mostra. Nada se irrompe.

Tudo é desejo e mistério.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Frio II

percorri esta noite fria
com a procura de calor na solidão de um lápis


Raquel Froes,
ainda sobre a estética do frio

domingo, 16 de maio de 2010

Frio

Lá esta ele, despertando manhãs com ferrugem nos corpos. No caminho até o trabalho, enquanto as temperaturas baixas iniciam a sua entrada em cada labareda que enchergam, os pés seguem o trajeto pela grama congelada. A cada passo ensaiado, estalos anunciam novos fragmentos da geada. Os raios de Sol desmancham-se e na procura deles uma intensa neblina ofusca a visualização. Cheira-se de longe a umidade excessiva. O vento gelado transpassa o frio nos lábios. Corta-os.

Tudo congela nesta estética. Até palavras.

Sopro ventos quentes e flocos brancos surgem no ar.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Estive afastada, não sei o que aconteceu...  Mas agora neste paraíso encontrei minha essência, o meu própio eu. Estou cheia de novas coisinhas, andei escrevendo bastante; inspiração nova, de sujeito andante.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Inquietude Plena

E por certo tempo
imaginei estar perdida,
e com o olhar desatento, lento
uma intensidade se fez,
tal como nas historias
 de era uma vez.
Pensei imaginar
pensei sentir.
A luz desapareceu
e eu cai.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Des compassos

As madrugadas arrastavam-se pela consistência do frio. Perdida nas horas, ela partia para o desfecho de seus olhos carregando a face intensa da Lua. Colocava seu sono no escuro e, encolhida, buscava a cozedura do calor. O tempo desdobrava-se nestas tentativas, até que palavras chegavam à sua janela, adentravam-se na sua cama e, de letra em letra, envolviam-na num aquecimento contínuo e crescente. Eram os des (compassos) dos abraços deles. Seguia ela por estes versos fluidos. Seguia ela com os desejos que por ele a entorpeciam.


- Guarda-me nos teus braços [para sentirmos as densidades dos corpos]


- Fecha-me num abraço [para conduzirmos as possibilidades de afagos]


- Reúna-me em teus versos [para nos alimentarmos da intimidade das palavras encarnadas]

segunda-feira, 29 de março de 2010

Ensaio

Nos alimentamos um do outro até lambusarmos a madrugada de corpos molhados
Nos alimentamos um do outro até lambusarmos a manhã de umidade

sexta-feira, 26 de março de 2010

que molha

A chuva percorre a extensão da cidade na verticalidade de suas gotas. E eu [úmida por dentro] ponho-me na janela para escutá-lapara me perceber a cada (in)quietude que os pingos derramam.

Com um lápis escorrendo entre os dedos, me percebo e de líquidos densos transbordo: enquanto as gotas despencam para baixo, eu [encharcada de pensamentos] despenco para cima.




A poetisa é aquela que despenca para cima. Transita pelo mundo de ponta-cabeça.
eu fui perseguida
pois de querer meu eu carece
pois ele é um desconhecido
que o mundo ainda não conhece...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Scire-Potere-Audere-Tacere


Saber



Poder



Ousar



Calar

terça-feira, 23 de março de 2010


Na travessia das cores-sabores

Fiz a transubstanciação da alma

No copo de leite nasceu poesia

vou atrás

Hoje eu ando com as pernas do tempo

E na minha alma vive o momento
Demorou, mas percebi
A vida segue,
e eu vou atrás

O sol e a lua me têm como amigo
O ponteiro do relógio é um livro já lido
Essa brisa tomei como bússola, e mais
A vida segue
E eu vou atrás
Você me pergunta sobre meu futuro
E eu te respondo – que diferença faz?
Se até nosso amanhã vai ser ontem um dia
É que a vida segue
E eu vou atrás

quarta-feira, 17 de março de 2010

descobrindo

Neste desejo inócuo

Vou flutuando com o vento.
Folha vagando pelo vácuo,
Do espaço Sentimento.

Abro portas sem trancas
Marco rotas com os pés.
Subindo longas escadas.
Nadando com as marés.
Desvendo novos ares.
Respirando, eu aproveito,
Pois descubro novos lares
Que habitam no meu peito.
Desovando velhas regras
Desbravo um mundo novo.
E neste caminho de pedras,
Lapidando eu me renovo.

Cada passo, uma surpresa.
A verdade vem à tona,
E faço graça com destreza
Neste palco sem lona.

O tempo me abraça,
Na cadência do destino,
Que do baixo me alça,
Me apresentando ao divino.

Errante vou ouvindo,
O coração que não me cega,
E num mirante esperançando,
Minha alma que se alegra...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Vislumbro a palavra
caio num abismo de possibilidades;



Escorreguei na casca do poema
caí num chão de janelas;

estou inserida em uma dimensão real?
não é fixa. eu já sabia.

sábado, 13 de março de 2010

Tais Olhos

Seus olhos deveriam ser velhos
Opacos e tímidos
e deveriam velar por mim
pela eternidade,




Seus olhos
Deveriam
ser os meus,
Só os meus,
Donde deveria
Mergulhar

De
Cora-
ção


Mas seus olhos são cinzas
- Quando prenhes de razão:


São da alma, o grilo
O medo e o desejo
De um dia
serem verdes


Um dia
serem meus.

quarta-feira, 10 de março de 2010

não sei porquê

Falta ar..
não consigo respirar.
Soprem minhas narinas
pois minha boca,uso na arte de amar.
Ou então beije-me
e deixe-me sufocar.

domingo, 7 de março de 2010

gosto muito deste poema:


Se tu me amas

Ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
Deixa em paz aos passarinhos,
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
Enfim
Tem que ser devagarinho, amada!
Que a vida é breve
E o Amor
Mais breve ainda.






.Mario Quintana.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Natureza em Mim

As luzes apagam

Mas os meus olhos continuam atentos
A chuva me agride
E me ameaça com os sopros dos ventos


Eu não entendo

Por que o sol que esquenta lá fora
Não esquenta aqui dentro?
Por que a vida que acaba agora
Já nasce perdendo?
Por que a dor que vem de repente
Não dói tão perfeito?


As montanhas esconde
A beleza que desponta o horizonte
O calor que queima asfaltos
Racha minha cabeça e brinda minha sede


Eu não entendo


Por que a natureza é perfeita lá fora
E tão louca aqui dentro?

quinta-feira, 4 de março de 2010

nestes dias tão serenos de contexto tão ameno

dessa saudade in(s)talada

sinto o ímpeto de sua forma&presença
- de forma trocada

d
e
n
s
a

dias trocados e molhados....entre eles outros, tantos;
traçam este a c a l a n t o, de cor vermelha.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Poema Azul

Ama-me como o mar



Serei o céu a beijar-te



extraindo teu sal



e gozando alvoradas ensolaradas



nas tuas noites tempestuosas

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

terra unida



Não há eterno que sempre dure

Não há feridas sem remédios

Não há amor que sempre viva

Não há lagrimas em todo o choro

Não há felicidade em todos os sorrisos

Não existe um padrão

Não existem verdades absolutas

O mundo é arte abstrata

Sem margem nem métrica

Com borrões e garranchos

Pois não seria mundo se não fosse assim .

domingo, 21 de fevereiro de 2010

romântica lisérgica

E com ela o outono


chegara a estação
O absinto em plástico
será novamente reciclado


Amor demodê
manias de você
Seres parecidos
vocabulário abstrato
Seus trajes de brécho
e a literatura do sebo


Um revival de lembranças
Beatle Paul na fotografia feia
um cara cafona


Musicalidade sobre
o planeta Júpiter


Molhados do verde
seguem sem rumo pela madrugada

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

fragmento

Quero um abraço abrasado na abrangência de teus braços

Quero teus braços na abrangência de tuas possibilidades
Quero as tuas possibilidades na abrangência de teu abismo
Quero teu abismo na abrangência da nossa


q
u
e
d
a








-Sinta-se a fragmentada, suco de umbu.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Sem Rumo

Vou desfazer de meus sonhos
E esvaziar tudo que sinto
Talvez me sinta leve,
Ou o vento me leve
Para qualquer canto do mundo.

Quero voar para bem longe
Seguir um caminho
Mas sem destino,
só eu e meus pensamentos


Não quero levar meus planos
Talvez um lenço, pra secar
As gotas de lagrimas só minhas,
Quando vierem me assombrar
Os fantasmas do passado.

Quero um amanhã,
Na verdade quero sumir
Sem rumo, nenhum caminho
Nenhum diabo que me carregue
Ou me prenda.

Pois estou cansada de bater em ponta de faca
De enxer sacos furados
Fazer todo esforço pra nada
Estou cansada de me sentir um nada.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Saltei da ponte da saudade


deixando histórias e amores pra trás
e lá embaixo, tomei conta da verdade
já virei passado, nem de lembrança me chamam mais

saudade virou magoa
minha paixão virou piada
pagina virada, cuspida e colada

o eterno acaba em um mês
e só funciona em dias comerciais
sem hora extra, das nove as seis
com direito a pranto e cenas sensacionais.

demorei pra perceber
que todos preferem me apagar
e viver tal felicidade
do que derramar uma lágrima de saudade

pétalas de saudade





Retirei do meu jardim

Doces pétalas de saudade

Viajei, me vi assim
Vivendo outra realidade

Toquei o chão, senti a terra
Beijei a paz, larguei a guerra
E as pegadas a beira do mar
Deixei as águas assim levar

Plantei sementes, comi do fruto
Deixei as lágrimas como um tributo
Voei nas asas de um colibri
E lembrei de coisas que nunca vi

Guardei comigo essa lembrança
De voltar a ser criança
E abri a agenda com acuidade
Pra guardar minhas pétalas de saudade

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

distância




Estou distante.
De tudo
De todos
e
Explicitamente;




Distante
de
mim.

Paradoxo






eu sou ruim.
ou mal.
ou mau.
as vezes eu me escondo sob algumas fantasias.
fora isso, sou uma eterna menina.
vazia.


uma rebelde de mentira!


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Caminhante



Vou seguir essas léguas
Como toda caminhante
Os meus olhos têm o brilho
Dos amantes esquecidos.

No semblante minha fé
Aquela que não duvido
Vou levando minha sina
Que é minha não divido

Meu instinto de errante
Sempre andou junto comigo
E assim eu vou seguindo
Perseguindo os caminhos

Levo em todas as partidas
A incerteza do destino,
Tenho as noites como abrigo
E as manhãs que eu persigo

Por mais que eu não descubra
O meu porto e dia de chegada
Vou deixando em cada canto
Minha presença marcada

E em cada despedida
Deixo um pranto de saudade,
A estrada é minha casa
À distância minha vida.


A partida





A brisa calma, o vento gélido anunciava,
Mais um dia estava começando.
Ela da cama se levantava,
E no novo caminho,
Já ia pensando.
 

Malas prontas, arrumadas,
Passagem na mão;
Um olhar triste da mãe...
Um aperto no coração.

De longe já se ouvia,
Um anúncio que era o tal...
E ele correspondia,
Ao novo caminho sem final.

E pela porta ela passou;
Ouviu alguém dizer adeus,
Viu acenos tristes,
E uma lágrima despencar.

Sabia que dali não teria como voltar;
Sabia que ali teria que se adaptar;
Sabia que ali era seu novo lugar.


Ela foi, e nunca mais voltou.


domingo, 24 de janeiro de 2010

Velhos Costumes

PS: fiz com a intenção de virar música. Mas ainda não consegui compor algo que se encaixa...é como a busca por um perdido elo da corrente.


Não tenho nada de novo
Somente os velhos costumes
Sempre o mesmo perfume
E esse tique nervoso.

Eu sou de poucas palavras
Para dizer o que penso
Da mesma forma que quero
Também te mostro o inverso

Não tenho nada de novo
Pois sou a mesma de sempre
Aposto tudo que tenho
Mas não me vendo barato

Um velho blues ou um rock
Uísque puro sem gelo.
Esse olhar preguiçoso
Mas um sorriso sincero.

Finalmente

Assim, de repente
Sozinha, impaciente
Loucuras em mente
Desejos urgentes
Vão, furiosamente
Irreversivelmente
Brotando, crescentes...
Venha, inteiramente
Te espero carente...
Traga, indecente,
Um beijo bem quente
Ou carícia inocente...
Incendiando, invadindo
O corpo e a mente...
Mágica semente
Sabor envolvente
Fogo crescente...
Venha rapidamente
Maliciosamente...
Domar essa fera
Que deseja somente
Nessa noite quente
De estrela cadente
Amar, deliciosamente!
Venha...
Te quero presente
Em meu corpo, saliente
A buscar, loucamente
De forma indecente
Prazer que só aumente!
Eu e você
Ao menos essa noite...
Fazendo amor... finalmente...!

Lucidez







Como disfarçar, se a minha lucidez
Flerta abertamente com a insanidade?
E minha razão, por vontade própria,
Afasta-se cada vez mais da realidade?

Como fugir, se minha luz no fim do túnel
Jamais foi além de um tênue lampejo?
Se minhas aversões são encobertas
Pelas irresistíveis asas do desejo...?

Seria como... esquecer quem sou
E apagar do meu subconsciente
De onde vim, pra onde vou...

Será que ao menos Freud explicaria?
Confesso que, diante de tanta incoerência,
A perguntá-lo... eu jamais me atreveria!







sábado, 23 de janeiro de 2010

blá blá humanitário

O mecanismo lógico que desencadeia a compaixão do ser humano é algo que me intriga. O horror do desastre haitiano compadece corações brasileiros e mobiliza o mundo inteiro. O horror que sempre foi o Haiti, não.


Acho uma pena a solidariedade humana ter hora marcada e prazo de validade.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

[in]croguência







Fui procurar em meio à chuva alguma coisa que fizesse sentido, e acabei revisitando o Mark. O Mark é desses que mexe comigo. O Mark sabe da poeira que o tempo nina, mas enxerga o mundo com miopia que varre a poeira dos móveis, atira o pó em dança caótica e diz mil verdades sem fatos. O Mark é como o Kurt, rasga a bandeira branca e empurra o capelo, abrindo bem as mãos - "...os aplausos que aguardem, o objetivo agora é alcançar a serpentina dourada que ilude com gracejo." A estrada segue, eu sei, você sabe (mesmo que não saiba, realmente); é inevitável. Mas um disco na mochila é essencial, só não mais que as páginas em branco. Entende? Não, eu não disse que é fácil. Existe um espaço enorme e miúdo entre letras e ponto. Ponto. Existe um espaço metafísico que ultrapassa o saber; existe algum para o sentir?
Não, não se engane... às vezes palavras são pouco, quase nada.  

Paradoxo se escreve com x, e nunca foi sua sina fazer parte de uma equação.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Aur Revoir

Não tenho mais vontade de escrever,
Não vejo mais beleza nos campos
Nem nas incertezas de um beijo



Não encontro palavras
Nem que representem o tédio
Quanto mais o desejo.



Ver-
sifico
para
ver se
fico !



Vãs Palavras
também
são
Fala-
das

Quem não versifica
Com verme fica"



Eu ainda não voei
Mas vou voar
Au revoir....
Adios
Deixo lacunas...
Lacunas para contar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Tecendo a manhã





Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entre tendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
As manhãs toldam de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ruído





"Eu e você usamos a mesma língua, as mesmas palavras. Mas que culpa temos nós de que as palavras, em si, sejam vazias? Vazias, sim. Ao dizê-las a mim, você preenche-as com o seu sentido e valor; e eu, ao recebê-las, inevitavelmente preencho-as com o meu sentido e valor. Pensamos que nos entendemos; de fato, não nos entendemos. Mas estamos e vivemos, logo eu sinto, você sente; e disso, só nós sabemos"

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Observar




O nada agora é quase tudo
É um estado semi mudo
O qual minha mente tenta descrever


Eu vejo a lua
Vejo o sol nascer
E mesmo assim continuo
Embaraço-me e...
Não consigo resolver


Fumo um cigarro
Tomo ate um gole de café
Aonde meus devaneios me levam
Realmente...
Eu nunca chegaria a pé


Mas mesmo assim
Solitária e sem inspiração
Brinco de fazer versos
E estes,
Fico triste em saber...
Nunca sequer mexeram com seu coração
E eu nunca conseguirei descrever!

Falta de Inspiração




Estava pronta – pensei...
vou escrever uma linda poesia;
Peguei o bloco de rascunho,
caneta em punho
e fiquei olhando a folha em branco.
Meu dicionário servia
como prancheta,
pronto pra ser consultado,
e meu eu pasmado!
Porque nada em minha mente surgia,
parecia vazia.
Fato consumado.
Sentada na cama, fumei um cigarro.
Ainda embasbacada, perguntei
que poeta eu sou?
Que não sabe como começar
o que planejou.
Porém, em compensação...
uma conclusão me deixou.
Minha mente, não é uma indústria
e nem fabrico inspiração.
Desisti.
Fui ouvir Beatles
e pirar o cabeção.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Auto-Retrato









Não gosto do “quase”
Não suporto o “mais ou menos”
Não tolero “qualquer coisa”
Detesto o “talvez”
Irrita-me o “senão”
Abomino o “quem sabe um dia”...
Odeio o “pode ser”
Evito os meios-termos
Não leio as entrelinhas
Desprezo os atalhos
Não gosto do cinza...
Gosto do branco
Ou do preto...
Mas prefiro
O vermelho!
Amo o “tudo”
Adoro o “mais”
Amo o “fundo”
O “profundo”...
Sou o que sou:
Gosto do avesso
Do desafio
Do difícil
Do travesso,
De pagar o preço!
Gosto da pimenta ardida
Da primeira mordida,
Das raízes,
Do vento frio
De ir a pé,
De vida...
De andar com fé!!