sexta-feira, 30 de julho de 2010

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I. fogo
o poema incendeia
mas o poeta já não sabe arder.

onde te escondes, auto-de-fé?...




II. memória 
ouvi dizer
que perder a memória
é morrer duas vezes.

morri-me.
morri-te.



III. colagens
porque o corvo
me ensina o grito da loucura
e me empurra para dentro
dispo os braços secos
e atolo-me na tua imagem muda.



IV. A morte do verbo 

gaguejo
balbucio
sussurro
murmuro
falo
grito
brado
vocifero

as palavras gastam-se
em bocas sem saliva
e definham
nos submersos degraus da vida.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

(des)encontro

- Moro no intervalo da palavra
- Moro no interstício do verso

O (des)encontro: no ruído do instante

quarta-feira, 21 de julho de 2010

liquefeito

"distraídos
porque nos beijávamos

distritos
expandiam-se em oceanos de pele e
cintilâncias galáxias de evanescência

por mim
o orvalho gotículas de saliva doce

hidromel que poreja
sumo de ambrosia para além psi

aleluia!"

domingo, 18 de julho de 2010

Livre


Eu não tenho molde.
Vario conforme a lua,
Conforme o vento,
Conforme o tempo.
Pra quê ter fôrma
Se a mais bela forma da areia
É a inconstância das dunas?
Eu não tenho molde e não quero ter.
Sou a liberdade do mar
Em suas ressacas e calmarias.
Céu de brigadeiro?
Só se for pra comer de colher.
E quente;
Porque o morno nunca me satisfez.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência
e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca."

Clarice Lispector

nua e crua

se esmoreço
me calo
se me calo
falo
noutras línguas
linguagens diversas
inintelegíveis?
talvez
expressões do eu
não do ego

sexta-feira, 9 de julho de 2010

da voz

tua voz faz uso de vinho tinto nas minhas canções
embebida cada fragmento deste corpo-cancional
e antecipa o sabor dos delírios

terça-feira, 6 de julho de 2010

a minha cor predileta é verde

domingo, 4 de julho de 2010

Coti(dia)no

Despertei na manhã com canto líquido e solúvel. Misturei meu tingimento com perspectiva poética ao longo do dia {em meio a um cotidiano que nos entorpece de repetição}

(en)saio do cotidiano

É preciso lançar palavras escritas. Resgatar vôos em meio a um cotidiano que nos entorpece de repetição e nega a perspectiva poética.
tem dias que eu acordo tão ácida
que não me reconheço
em nada

a minha identidade se dissolve
ao toque mais leve das minhas digitais

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ando pelo mato com meus pés vermelhos em busca de sementes. se não as encontro, avôo - e caço a semente no ar.

morasse na cidade teria os pés cinzentos comeria pedras e voaria. sou bicho sortudo: moro no mato e avôo.