sábado, 26 de junho de 2010

canção da manhã

cores
formas, ruídos

manhã

não mais fantasmas no sótão
poeiras invisíveis

estrelas

tresloucados grilos
não uivam

lua

formas não mais tremulam
oníricas
noturnas

............

mundo
como era ontem

órbita

dia e noite
antigo fluxo
sempre novo

claridade

restituídos estamos
renovados
pelo batismo escuro
(noite)
em que repousamos

manhã

salta-te
graciosa
e nos concede
a pretensão consciente
da vida.

terça-feira, 22 de junho de 2010

indiferente

peça um pedaço
afague-me em teus braços
enquanto eu 
muda d es calça
ando nas nuvens

segunda-feira, 21 de junho de 2010

parto

o cio da pa(lavra)
lavra no silên(cio)

grá(vida),
nascem os versos

terça-feira, 15 de junho de 2010

eus

O eu do poema
nem sempre
é o eu do poeta.
O eu do poeta,
enquanto poeta,
nunca foi seu…
O eu do poema
alimenta-se
enquanto nutre outros eus, -
é muito mais do que um único eu…
É um eu tão profundo
que não tem fundo,
não tem pouso,
nem repouso…
É um eu em pessoas, -
as primeiras,
as segundas,
as terceiras…
É um eu em queda livre,
um eu em abandono,
que não se reconhece
em um único dono…
O eu do poema
não é pastor,
é rebanho, -
é o eu de um mundo,
onde ainda há lugar
para o eu
(que não é só) do poeta
e seus poemas
de infinitos eus…
tão singularmente
divididos.

Cabe ao poeta
o improvável teorema
de um eu
que nunca lhe pertenceu…
Resta ao poeta
assinar o poema que escreveu, -
para que não se perca
de si mesmo…
do eu
que tantas vezes
pensa ser o seu...

domingo, 6 de junho de 2010

A sedução das palavras percorridos nos corpos faz uso de linguagem poética.

Linguagem carregada de vento.
Linguagem reinventada de possíveis.
Linguagem de possíveis rein(ventos).

- In(corpo)rei a poesia nos meus sopros e percorri o caminho do vento.