O medroso nunca ganhou uma batalha, saiu da guerra de cabeça baixa. Esse medroso que nunca ganhou uma batalha sempre desistiu no meio, olhou pra trás e se arrependeu – voltou. Se escondendo entre as sobras das trincheiras, se esquivando das balas que brilhavam naquele céu escuro, ia saindo de todos os desafios em que entrava. Com medo de dizer não aos seus ditadores sempre vestia sua roupa camuflada e ia em direção ao nada, mas voltava solitário, envergonhado com suas vestimentas limpas e engomadas.
Diziam que não tinha honra de lutar por seu país, de vestir a carapaça de ideologias que na verdade nunca idealizou, não tinha a força de lutar por um bem maior que nunca estimou porque nunca acreditou que este seja uma verdade.
Um dia tentou explicar para todos que não o queria ouvir dizer que o bem maior se alcança com o a felicidade de cada um, individualmente, e que ele segurando uma arma não era feliz, e ele não queria lutar por uma causa já perdida, não queria seguir sangrando por uma guerra que se perdeu antes de começar, quando os papeis ainda estavam nas mesas e as estratégias ainda não estavam pensadas.
Em seu uniforme vinha escrito “covarde” e em alguns casos se podia até ler “traidor”, mas ele estava em paz, seu medo era verdadeiro e inegável, tinha medo de ganhar essas batalhas, tinha medo, de nessa terra de dor, morrer, sem nenhuma lágrima pra escorrer sobre seu rosto frio.
A cidade sempre o esperava um dia depois das noticias no jornal, o olhavam por trás das cortinas, alguns choravam por seu país ter perdido um soldado, outros riam, alguns não tinham coragem de olhar dentro de seus olhos, também tinham as moças debruçadas nas janelas, as crianças nas ruas. Ele sempre de cabeça baixa seguindo o mesmo caminho tantas vezes percorrido, o caminho de casa. Sabia que ali ia ter alguém que o esperava pro café, com um sorriso no rosto e um abraço de proteção que o fazia corajoso.
Nunca teve a pressa, mas sempre teve a vontade de viver. Esse soldado que nunca ganhou uma batalha, sempre voltou pros braços da amada. E em casa morreu de velhice e felicidade.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
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